Pós-pandemia: o que deve mudar no convívio dos brasileiros

Cissa Bernardes

Pós-pandemia: o que deve mudar no convívio dos brasileiros

Em meio à pandemia do novo coronavírus, buscamos nos resguardar para mantermos nossa saúde. As novas regras de convívio, baseadas nas instruções da OMS (Organização Mundial de Saúde), estão sendo modificadas para que a contaminação não se alastre e tenhamos cada vez mais casos de COVID-19.



Apesar de estarmos vivendo o hoje, preocupados em não virarmos mais uma estatística desta triste contaminação, também devemos pensar no amanhã. Em como é possível retornar a nossa rotina de trabalho, estudos e, também, dentro de nossas casas pós-pandemia.



Profissionais da arquitetura e do design criaram projetos que mostram como podemos seguir com as nossas tarefas, nos resguardando do contágio e minimizando o impacto do coronavirus em nossas vidas.



Para as residências, o escritório Dávila Arquitetura, ressalta que as três premissas principais para explorar as potencialidades das novas moradias, evoluídas para o século 21, pós-pandemia, são aproveitar melhor a natureza; valorizar a higiene e viabilizar o trabalho em casa. Tudo pensando na saúde, bem-estar e sucesso profissional dos moradores. Os arquitetos Alberto Dávila, Afonso Walace e Cadu Rocha apostam, indubitavelmente, na sustentabilidade.



“O melhor aproveitamento da natureza se mescla à tendência irreversível da sustentabilidade e favorece o bem-estar e a saúde dos moradores. A incidência solar e a ventilação natural, especialmente, são exemplos dos proveitos que podemos obter, gratuitamente, com mínimo impacto no meio ambiente. Uma iniciativa importante é recriar os solários, espaços onde se possa tomar sol e ar, dentro de casa. E podem ser configurados na própria varanda. No entanto, é necessário favorecer a iluminação e ventilação naturais dos ambientes, dos dormitórios às áreas sociais e às áreas de serviço”, ressaltam.



Ao falarmos das instituições de ensino, o escritório Painel Arquitetura revela que o pós-pandemia será uma integração do real com o virtual. Os espaços, e as pessoas, deverão se adaptar para esta nova modalidade educacional, onde a tecnologia terá papel fundamental. Além da importância de terem que recriar o layout das salas de aula.



“Nos encontramos em uma posição em que precisamos repensar tudo para erradicar e vencer o vírus. Obrigando-nos a reavaliar o aprendizado e sistemas educacionais inteiros que foram induzidos, num curtíssimo prazo, a digitalizar-se. E isto vai acontecer junto aos mecanismos de ensino online onde uma integração entre esse espaço físico e digital precisa acontecer de maneira hábil. A arquitetura será então um meio onde a forma (e função) deverá ser interpretada como um momento constituído por sequências temporais onde os estudantes interagem no espaço por meio de suas experiências de momento”, avalia o arquiteto Henrique Hoffman. 



Já quando falamos de espaços comerciais, a modificação da estrutura física é ainda mais evidente. Segundo as designers Cris Araújo e Linda Martins, do escritório Maraú Design Studio, as lojas deverão seguir alguns passos cruciais para poder atender o seu público dentro das normas da OMS oferecendo, além de seus produtos, a sensação de segurança.



“Estamos propondo aos proprietários de lojas que, quando o cliente entrar na sua loja, o posso utilizar o espaço logo ao lado da porta para higiene e proteção pessoais. Além disso, ele poderá colocar o protetor de pés, passar álcool gel e retirar uma máscara, caso necessite. A área de atendimento estará dentro de uma cabine de acrílico ou no balcão. No momento de fazer o pagamento, o cliente terá um espaço demarcado para afastamento e, ao sair da loja, poderá descarta os artigos de proteção no lixo ao lado da porta. Após a permanência do cliente dentro do estabelecimento, é a vez dos funcionários fazerem o seu papel, aplicando álcool líquido 70% com borrifador em todos os móveis que foram usados durante o atendimento”, indicam.



De acordo com todos os profissionais, o momento de repensar a adequação dos espaços é agora, na quarentena. Isso porque, quando a pandemia acabar, a residência e os espaços comerciais e institucionais já estarão prontos para receber um usuário/consumidor muito receoso e traumatizado por uma pandemia que matou vários entes queridos e que, por causa disso, vão exigir todo o cuidado relacionado a saúde nos locais onde terão que conviver. Além disso, a vantagem de se fazer obras/adequações neste momento de pandemia no Brasil e que várias lojas, empreendimentos da construção civil e decoração estão com promoções muito atrativas que, logo após a pandemia e o aumento da demanda gerada pelos consumidores mais exigentes aos mais variados setores, fará com que aumente o valor cobrado por todos. Por isso tudo, o momento de mudança é agora.